quarta-feira, 14 de junho de 2017

LOUVOR SUPERFICIAL: Quando a atmosfera de adoração sobrepõe à adoração pessoal.

LOUVOR SUPERFICIAL
Quando a atmosfera de adoração sobrepõe à adoração pessoal

Certo dia eu estava me preparando para ministrar louvor em mais um culto de domingo á noite, a ordem das músicas ensaiadas já haviam sido distribuídas aos músicos, a voz estava aquecida, os músicos afinavam seus instrumentos e passavam o som com o sonoplasta; logo após esses procedimentos fizemos a oração coletiva, tudo conforme  ordena o ritual de preparação de uma equipe de louvor. Quando deu o horário de iniciar o culto, abrimos com uma canção maravilhosa, contudo, as pessoas não externaram nenhum "movimento de adoração", aos meus olhos, pareciam apenas reproduzir as músicas entoadas naquele momento. Após uns minutos, voltamos para o segundo momento de louvor, pedi para levantaram os braços, fecharem os olhos, oscilei a voz e nada fluiu. Naquele dia fui pra casa em crise, questionando á Deus e me cobrando muito pelo ocorrido.
Diversos ministros de louvor irão se identificar com o estado o qual eu me encontrei por muitas e muitas vezes. Então, surgem as dúvidas: o que fazer quando a igreja não responde a ministração? Como reagir quando o louvor parece que não invadiu o coração das pessoas? Qual a estratégia ou metodologia para estimular um clima favorável de adoração?
Eis a questão, a superficialidade na adoração durante o período de louvor nos cultos tem atingido muitas igrejas. Peca a equipe de louvor que pensa que o problema está na resposta da igreja, pois Deus nunca nos chamou para “levar o povo á adoração”, Cristo é o sacerdote perfeito e suficiente pra isso, Deus nos convoca: “Louvem o nome do Senhor, pois ele mandou, e foram criados” (Sl 148: 5), ou seja, eu não vou a frente da igreja com melodias para estimular uma atmosfera de adoração, eu fui criada para adorar, e nesse caso, adorar juntamente com a congregação.

Após Israel presenciar um enorme livramento de Deus da escravidão Egípcia, Moisés e os Israelitas cantaram com toda a alma o livramento e esperança, Deus havia demonstrado o seu amor, cuidado e privilégio israelita conforme havia prometido. E a profetisa Mirian saiu dançando e a outras mulheres a seguiram, uma imensa forma de expressar a alegria que estava dentro delas (Êxodo 15). Apesar de Moisés ser o líder do povo de Deus e Mirian uma profetisa, os mesmos não se importaram em externar uma adoração superficial com o fim de instigar a congregação, ao contrário, em um ímpeto eles adoraram ao Senhor, e consequentemente, o ambiente foi contagiado por muita alegria e adoração, não por eles, mas pela presença de Deus.
Suspirar, fechar os olhos, estender as mãos, sorrir, bater os pés, dançar, bater palmas, olhos lacrimejados são expressões naturalmente ocorridas durante as canções nos cultos. A ideia do louvor e adoração na igreja, biblicamente, nunca foi estimular, reagir, utilizar estratégias e metodologias, ou criar uma atmosfera de louvor, mas viver uma adoração profunda independente se for no secreto ou aos holofotes  “Porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é Espírito; e importa que os seus adorares o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4:23-24).

Portanto, quando você se sentir tentado a mecanizar a ministração de louvor para proporcionar uma atmosfera espiritual...Termine a canção, silencie, guarde o microfone, e em arrependimento ore a Deus para que seja criado em você um coração puro e também renovar por dentro um espírito inabalável (Sl 51:10). Mesmo que seja reprovado por muitos, mas por graça será amparado por Deus, pois um coração compungido e contrito ele não desprezará (Sl 51:17). O Abba se importa mais pelo que você é do que por aquilo que você faz, Ele se importa muito mais pela sua adoração pessoal do que pela atmosfera de adoração que poderá proporcionar a igreja.

Kelly Gonçalves