sexta-feira, 24 de agosto de 2018

O ARTISTA (24 de agosto)

Quem fez aquele metrô que você viaja? Quem foi o gênio que criou a programação da televisão? Quem criou aquele objeto prático que você utiliza todos os dias? Aquele belo painel quem o desenhou? Quem conhece o autor daquela linda estátua no Egito, na Roma, na Grécia, ou até mesmo em sua cidade? Quem compôs aquele ballet de repertório que você ama? E aqueles cenários dos espetáculos? Quem criou aquele solo musical que marcou gerações? Quem é o autor daquela poesia que por vezes parte dela fica gravada na sua memória?

Artistas, por vezes anônimos, mas grandes artistas com profundidade em seu talento, esforço, caráter e dedicação! Artistas que gritam com a arte, artistas que veem o mundo de forma diferente, artistas que colaboram para o desenvolvimento de outros artistas, artistas que se sensibilizam com as causas sociais e pessoais com muita facilidade, artistas que tem lágrimas na voz, na dança, nos acordes entoados, nos desenhos expressados, em uma frase no papel.
Uma referência de artista é Charles Chaplin (1889), o mesmo é considerado por muitos críticos do seu tempo o maior artista cinematográfico de todos os tempos. Foi um ator, dançarino, músico britânico, diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante e roteirista. Tão completo que atuou, dirigiu, escreveu, produziu e financiou os seus próprios filmes.Portanto, eis ai alguém que pode representar os artistas do mundo. Uma das melhores referências de autenticidade, criatividade, inteligência e comédia.
Sejam artistas de renome ou anônimos, são eles que complementam o mundo que maior artista (Deus) nos deu, para alegrar, desenvolver, embelezar e trazer a cor ao nosso mundo cinza. Parabéns a todos os artistas que compreendem o valor da arte. Sejam eles, bailarinos, músicos, atores, desenhistas, designer, escritores, poetas, malabaristas, etc.

Temos a arte para não morrer da verdade. (Friedrich Nietzsche).

24 de agosto – DIA DO ARTISTA

KELLY GONÇALVES

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Sertão: Minha experiência cultural. Parte 2


O ápice das montanhas cobertas por nuvens acinzentadas compunham aquele cenário receptivo de Serra Talhada PE, queria ter tido mais tempo para observar aquela obra artística do Criador mais de perto. As casas a primeira vista eram pequenas, a maior parte das ruas eram feitas de paralelepípedos, e cidadãos do sorriso aberto. Fiz uma oração ao entrar naquela cidade: “Senhor, o que tem para mim nesse tempo?"
Chegamos naquele sertão Pernambucano, eu fiquei hospedada na casa dos pastores amigos meus da época de seminário, tinham poucas horas antes do primeiro culto naquele domingo, descansamos rapidamente e fomos ao ponto de culto da IPR no centro, foi o meu primeiro contato com o povoado de Serra. Sinceramente, surgiu um frio na barriga pela saudação que tive que trazer naquela noite e ao mesmo tempo uma alegria imensa em poder viver tudo aquilo; no inicio do culto preocupava-me: “Caraca Deus, será que eles vão entender o que eu vou falar no púlpito? será que vão saber as músicas as quais eu estou acostumada a cantar?”. Durante a pregação do Pr. Samuel eu ficava meio confusa com as gírias nordestinas usadas por ele, frequentemente perguntava a sua esposa: “O que isso quer dizer mesmo?”, algumas coisas soavam como outra língua para mim! Não sabia que eu tinha sotaque forte até perceber que o meu "Senhoorrrrrrr, amorrrrrr, favooorrr" cuiabano trouxeram várias piadinhas.
Na segunda-feira, uma caravana de 46 pessoas de Minas Gerais estavam para chegar, também um grupo de pastores e missionários de Porto de Galinhas PE, eu juntamente com os pastores e outros dois amigos missionários nos apressamos em deixar tudo pronto para recepcioná-los. Que correria! Eu estava com uma curiosidade enorme de conhecê-los já que todos falavam há dias dessa galera que estava por vir. No final da tarde todos chegaram, os conheci naquele mesmo dia, me encantei com o tamanho carisma, energia e disponibilidade daquelas pessoas, eu pensava comigo: “Cara, que gás é esse dessa turma, é até difícil de acompanhar”. A alegria era contagiante! Eles tornaram-se especiais em tão pouco tempo!
Eu queria conhecer tudo o que pudesse enquanto estava ali! O couro me atraiu, eu até queria uma sandália de couro pra mim, mas decidi levar para a minha mãe e minha tia como havia prometido, a pessoa aqui não estava esbanjando grana para tantas compras assim, mas lembrancinhas muitas lembrancinhas típicas obviamente quis levar, inclusive a rapadura.  Por onde eu passava no centro da cidade tinha alguém com sandálias, ou chapéu, ou bolsas, ou pulseiras de couro, se pudesse levaria um de cada. 
Que café da manhã era aquele? Eu não sou familiarizada com tanta fartura no café da manhã, as vezes nem sento para tomar café pra falar a verdade, e no sertão comi até peixe frito no período matutino. Confesso, que eu tinha sérios receios ao comer os pratos típicos, nunca fui nojenta com comidas, mas, enfim, a carne de bode me dava repulsas, mas curiosamente experimentei o tal do “mungunzá” e também a famosa carne de bode, e não é que gostei, sim eu comeria outra vez!
As origens do sertão elucidaram o nosso entendimento sobre a cultura e comportamento do povo pernambucano, a minha visita ao museu do cangaço me fizeram infiltrar na história social, religiosa e artística nordestina. O que não podia faltar era um dos maiores espetáculos sobre Lampião e Maria Bonita justamente na semana que eu estava por lá. Ah a beleza da arte! O cenário, os figurinos, a iluminação, a dança típica (xaxado), a música regional, a atuação, as boas companhias, o frescor gelado noturno (por incrível que pareça estava muito fresco), que noite agradável!
No último dia, eu tive um momento único! Sentada no chão como estava, parei para observar tudo o que estava vivendo, enquanto escutava alguém ao meu lado cantar com o violão graciosamente, pela primeira vez eu não queria cantar, nem falar nada, não queria tirar fotos, só queria ouvir a canção e fotografar na minha memória tudo o que eu havia vivenciado ali! Não queria esquecer daqueles dias! Então fiz outra oração: “Obrigada pelo presente Deus, sinto-me viva outra vez, é bom estar de volta”.
Meu caro leitor, se eu puder te aconselhar a algo, digo: Invista em viagens com propósitos missionários/ministeriais, além da bagagem ministerial/espiritual que você armazena para si, sem dúvidas, o conhecimento cultural enriquece a sua formação, isto é, conhecimento e experiência é algo que ninguém pode roubar. 
Eu sempre amei conhecer lugares e pessoas, uma aventureira nata como alguns dizem, descobri através dessas viagens que posso me adaptar rapidamente a cultura que me proponho, mas eu também descobri que viagens como essa que fiz para o sertão nordestino me deixam muito mais realizada do que as que fiz como turista apenas, talvez porque tenha um propósito maior do que eu mesma. Por isso digo novamente, ore, invista, conheça, e vá, isto é reino! Garanto que a sua cosmovisão pode mudar muito, ás vezes vamos com a mentalidade de ministrar sobre as pessoas, e no final, nós é quem somos ministrados!
Na PARTE 3 estarei relatando sobre o tempo de missões, ministério, espiritualidade durante os dias ali.

KELLY GONÇALVES



segunda-feira, 6 de agosto de 2018

SERTÃO: Minha experiência - A chegada (parte 01)


SERTÃO: Minha experiência - A chegada (parte 01).

PODE CONFIRMAR! ESTAREI COM VOCÊS EM JULHO! Disse aos pastores de Serra Talhada PE . Há tempos que eu queria doar minhas férias em prol de um tempo na missão. Eu não queria apenas ouvir e contar as experiências de quem já foi ao sertão, eu desejava ir para vivenciar um pouco do que Deus já tem realizado naquele lugar. 5 meses antes da minha ida, eu já tinha confirmado, embora ainda não tivesse os recursos! Orei a Deus, me programei, pela fé confirmei, e fui! Os pastores me disseram dias antes de eu pegar vôo “o primeiro teste são as malas pequenas”, bom, quem me conhece sabe, com toda a certeza, que fui reprovada já nessa primeira prova, minha mala deu cerca de 23 kl, que desespero foi no aeroporto, ninguém gosta de pagar excesso de bagagem!
Enfim, cheguei de paraquedas num congresso de evangelismo do sertão nordestino, o qual eu confesso que nunca tinha ouvido falar, até mesmo quando os pastores disseram para eu me inscrever nesse evento em Juazeiro do Norte CE, subestimei! Pensei que era uma conferência simples em um a igreja local, mas quando percebi a proporção do movimento deu nó na garganta. Eram mais de 1000 pessoas que amavam missões, de vários Estados diferentes do Brasil, a maioria pastores, missionários e obreiros no campo missionário.  O calor das pessoas as quais conheci nesses dias do congresso ficaram guardados na memória e para perpetuar esse tempo “dá-lhe fotos”, foi renovador rever alguns amigos da época do seminário, trouxeram momentos nostálgicos marcados por uma fase transformadora.
Numa manhã, enquanto conversava com uma baiana “arretada” descobri que sou normal no meio dos loucos, a reciprocidade ao compartilhar alguns sonhos com tanta naturalidade me fez ficar reflexiva, eu até disse a ela “Fez sentido agora eu estar aqui”, depois daquele bate-papo eu até poderia ter ido pra casa já satisfeita e compreendendo muitos propósitos que anteriormente estavam ofuscados aos meus olhos ainda.
Observar todos os projetos cristãos sendo desenvolvidos no sertão reunidos em um único cenário foi fantástico! Quantos testemunhos, quanta ousadia, quanta criatividade! Ás, vezes, eu até pensava que parecia que nada estava acontecendo no mundo, mas quando vários missionários, de várias denominações diferentes, dos mais diversos perfis testemunharam os seus objetivos missionários sendo executados no sertão brasileiro eu pensei: “Uou, olha isso, Deus está fazendo”.
Uma tarde, em especial, fui juntamente com alguns amigos da igreja Presbiteriana Renovada de Serra Talhada PE (IPR) num ponto turístico religioso, neste morro tinha uma imagem gigantesca do Padre Cícero, havia também a uma casa que a sua decoração era composta pelas oferendas dos seguidores do mesmo, isto é, partes do corpo humano de madeiras, fotos, presentes estavam pendurados na parede daquele "santuário" como recebimento de curas. O comércio religioso estava bem atuante naquele local, algumas pessoas escreviam aos pés da Imagem do Padre Cícero as suas frases de devoção, mas uma amiga escreveu “Deus é o Deus dos vivos”. Por vários extremos da cidade de juazeiro do Norte encontramos igrejas católicas, em vários comércios a imagem atuante do Padre Cícero recepcionava os clientes. Sem dúvidas, até hoje pelas cidades que já passei, nessa cidade a idolatria é forte! Mas, eu percebi que o Deus vivo tem dinamizado pessoas para sarar os sertanejos.
Após 5 dias em Juazeiro do Norte CE, prossegui rumo á Serra Talhada- PE juntamente com a liderança da IPR.


Kelly Gonçalves