segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

(Parte 2) Por que teologia se você trabalha com arte?

 (Parte 02) Por que teologia se você trabalha com arte?

Em qualquer local que você for realizar uma pesquisa sobre o conceito da arte as descrições serão similares. Em breves palavras, estudos em geral afirmam que a arte é uma linguagem utilizada pelo ser humano para expressar suas emoções, sua cultura, sua história por recursos estéticos e de comunicação manifestados através da música, dança, teatro, pintura, escrita, etc.
O autor Hookmaaker no livro “A arte não precisa de justificativa” lembra que “a arte tem um lugar complexo na sociedade. Ela cria as imagens significativas pelas quais são expressas coisas importantes e comuns... A arte também pode dar forma ao nosso descontentamento, nosso desconforto em relação a certos fenômenos. Ela pode dar forma ao protesto. Se feita da maneira certa, ela não deve ser destrutiva ou fragmentar o que é bom”. (Hookmaaker, pg. 52-53). Isto é, a arte descreve por meio de imagens a realidade da sociedade, além de revelar a nossa percepção de mundo, podendo ser usada para construir ou desconstruir algum ideal. Consegue compreender o poder que arte tem sobre o social?
 Sobre a igreja não é diferente, ela revela o domínio do conteúdo das escrituras que temos e se fomos fiéis à sã doutrina, ela pode ensinar o conteúdo bíblico ou pode desconstruir o ensinamento de Jesus. O Artista Cristão (aquele que faz arte e é cristão) quando tem esse entendimento precisa assumir a responsabilidade daquilo que o mesmo tem pregado através da sua música, dança, teatro, escrita, etc. Entre tantos pensamentos sobre a importância de conciliar a arte e a teologia, separei pelo menos 2 razões pelas quais eu acredito que todo artista precisa ter conhecimento teológico:

1) O artista cristão precisa ser coerente quanto aos ensinamentos sobre O Cristo anunciado por meio da sua arte.

Partindo do entendimento que a arte é comunicação, o artista cristão com certeza vai expor através das suas expressões o nível do seu conhecimento bíblico. A análise teológica daquilo que dançamos, cantamos, tocamos, atuamos, ou escrevemos precisa estar presente em nossas expressões tanto quanto o tempo que levamos para desenvolver a nossa técnica artística, pois há ensinamentos sendo repassados para as pessoas que estão nos assistindo.
Paulo escreveu ao jovem Pastor Timóteo (II Tm 4:14-16): “ Não deixe de usar o dom que Deus lhe deu por meio dos profetas quando os líderes da igreja colocaram as mãos sobre a sua cabeça (14) ... Mantenha-se vigilante em tudo quanto FAZ E PENSA. Permaneça fiel ao ENSINAMENTO e você salvará tanto a você mesmo como aos que ouvem (16). Ou seja, aplicando a linguagem artística eu diria: “ Seja prudente em sua arte, amplie a sua percepção quanto ao seu cuidado em cada obra de arte que for fazer e pensar. Primeiro como cristão, e depois como artista. Mantenha-se fiel ao Ensinamento da palavra e assim irá zelar espiritualmente por você e pelo próximo.
Portanto, Se somos cristãos e vivenciamos o Cristianismo na Verdade precisamos ensinar sobre Cristo segunda a palavras que Ele mesmo inspirou. É importante a coerência na mensagem que repassamos para os nossos liderados e também para o público e para isso é preciso de uma dose de teologia.

2) Todo artista cristão é um pregador.

Sim, todo artista cristão é um pregador, o que difere são as linguagens utilizadas para compartilhar a sua pregação. Como escreveu Francisco de Assis “Pregue o evangelho em todo o tempo, se possível use palavras”. Paulo vai aconselhar Timóteo: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2:15). A partir da compreensão que somos obreiros com recursos artísticos como você tem manejado as santas escrituras?
Com a arte nós conseguimos pregar a palavra em lugares abertos para o evangelho ou não, podemos corrigir, repreender, exortar com longaminidade e doutrina (Tm 4:2) sem brutalidade como escreveu Bob Marley: “Uma coisa boa sobre a música é que quando ela bate você não sente dor”, além de manter o público atento a mensagem que queremos comunicar sem que haja dispersão já que a arte é uma mensagem estéticamente atrativa. Mesmo quando as pessoas se recursarem a ouvir a sã doutrina (Tm 4:3-4), a arte é um excelente método de evangelismo que faz o ser humano dar um tempo em suas atividades para prestar atenção naquela mensagem. Nós, artistas cristãos, e a igreja reconhecemos esse valor na arte. Contudo, preocupo-me com a qualidade teológica nas pregações que temos espalhados por ai. Eu sou um artistas cristão e sou uma pregadora, e por eu ser essa pregadora eu preciso de teologia.

Por que teologia se você trabalha com arte? 

Porque o artista cristão precisa ser coerente com o Cristo anunciado por meio de suas expressões artísticas, também porque a luz da palavra você é um pregador.  Para completar a resposta trouxe um trecho do primeiro artigo sobre esse tema “Justamente porque eu trabalho com arte que eu preciso de teologia. Eu acredito que todo o artista necessita ter o mesmo nível de conhecimento que um pastor. O campo de arte desenvolve muito o emocional, por isso, uma dose de conhecimento teológico ajuda-nos a ter o equilíbrio necessário para executarmos uma arte bíblica sem pecarmos contra a palavra de Deus “com muita emoção, mas também com inteligência”.
Ebenézer Emerick afirmou :"Se não crescermos no conhecimento da Palavra não cresceremos em boas obras. É a Palavra que nos leva as ações corretas". Sendo assim, conheça a palavra de Deus, estude, corrija-se, cresça, pratique boas obras e componha uma bela obra de arte a luz da palavra de Deus.

Kelly Gonçalves


sábado, 20 de janeiro de 2018

Por que teologia se você trabalha com arte? (Parte 01)

Por que teologia se você trabalha com arte? (Parte 01)

Desde que optei por teologia em minha primeira graduação algumas pessoas perguntavam: “Por que teologia se você trabalha com arte? Afirmavam: "Você poderia optar por licenciaturas em artes cênicas, música, dança, ou educação física, etc"; E eu sempre respondi que eu tinha objetivos ministeriais ao fazer o seminário teológico, inclusive, na arte! E com o decorrer dos anos percebi o quanto o conhecimento teológico transformou a minha visão de reino e arte. 
Hoje, pra todos os extremos artísticos eu utilizo a teologia, como isso é possível? Quais os benefícios da teologia vinculada a arte? Quem cursou teologia sabe como ela é ampla, por isso, com base em experiências pessoais vou citar alguns exemplos a respeito de como a teologia expandiu meu mundo ministerial e profissional nas artes. Por exemplo:
- Teatro: Ao montar um roteiro de uma peça, a teologia me ajuda com a estrutura do roteiro, a profundidade bíblica e escrita (Já que a gente passa quatro anos fazendo e desfazendo sermões com frequência), a pesquisa teológica de cada personagem bíblico para transformá-lo em um elenco no teatro. Aos que já assistiram algumas peças escritas por mim sabem dos fundamentos bíblicos que tem por trás da mesma, e sabem que é um sermão atuado.
- Música: A teologia auxilia na ministração de louvor, nas cautelas sobre o que falar no período louvor (se precisar falar), ao escolher as músicas de acordo com a pregação, o conhecimento teológico te faz analisar melhor as letras das canções antes de levá-las a congregação.
- Dança: Assim como no louvor, a teologia ajuda na escolha das músicas antes de dançá-las, nas danças teatralizadas, no estudo histórico e bíblico sobre a dança a luz da bíblia.
- Escrita: A teologia nos instiga a leitura, muita leitura! Como escrever sem ter uma vida de livros? Na palavra de Deus tem grandes escritores, compositores e poetas. Depois da teologia percebemos um pouco mais a riqueza nas construções textuais nas escrituras. Nas aulas de português aprendemos a importância dos “argumentos de autoridade”, ou seja, utilizar de outros autores confiáveis para que a nossa argumentação seja exposta com mais convencimento; Analisando sobre perspectivas teológicas e literárias percebe-se que o próprio Cristo utilizou muito desse recurso. Fora que a escrita, a leitura, e a teologia nos ajuda a entender o contexto de cada texto como escreveu alguém “para não ser pretexto”.
- Pregação: É o foco da teologia, isto é, a arte de pregar! Sem dúvidas, colabora com a oratória, na exposição de um estudo bíblico hermeneuticamente correto (sendo eles pra igreja em geral ou algo mais direcionado a artistas). Conheci alguns artistas cristãos maravilhosos tecnicamente e muito dispostos em seus ministérios, contudo, as suas pregações eram vazias de conteúdo bíblico, sem explicações dos trechos retirados da bíblia, e sem manter o tema proposto no inicio da pregação, penso que algumas orientações da liderança sobre a pregação dessas pessoas cooperaria para o desenvolvimento na área da exposição bíblia verbal (Lembrando que não estou julgando critérios espirituais, enfatizando apenas as condições da pregação).  O conhecimento teológico coopera também no discipulado bíblico de uma equipe facilitando até mesmo uma possível construção de material para o departamento.
Esses são apenas alguns benefícios do uso da teologia no trabalho artístico na igreja. John Stott parafraseando a palavra de Deus conta que “Um louvor irracional certamente era oferecido na cidade pagã de Atenas, onde Paulo encontrou um altar dedicado ao “deus desconhecido”. Porém, eles não estavam se tornando cristãos. O apóstolo não estava satisfeito em deixar os atenienses na ignorância. Ele fez algo para anunciar-lhe a natureza e as obras do Deus que eles ignorantemente adoravam. Ele sabia que a única adoração aceitável para Deus era a adoração inteligente, adoração “em verdade”, adoração oferecida por aqueles que sabem quem estão adorando e que o amam “com todo o entendimento” (Stott, John. Pg. 46).  
Nesse momento eu me pergunto “A minha arte tem amado a Deus com entendimento? A minha arte tem sido inteligente? deus desconhecido?” Crer também é pensar (John Stott). Então, por que teologia se você trabalha com arte? Justamente porque eu trabalho com arte que eu preciso de teologia. Eu acredito que todo o artista necessita ter o mesmo nível de conhecimento que um pastor. O campo de arte desenvolve muito o emocional, por isso, uma dose de conhecimento teológico ajuda-nos a ter o equilíbrio necessário para executarmos uma arte bíblica sem pecarmos contra a palavra de Deus “com muita emoção, mas também com inteligência”.


Kelly Gonçalves 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

ARTE NA IGREJA: Vocação ou ocupação?


ARTE NA IGREJA: Vocação ou ocupação?


- Olá moça, seja bem vinda a nossa igreja. - Afirmou irmã Maria.
- Olá a paz. Obrigada! – Respondeu Bia.
- Como já te disse, vou te apresentar a Fernanda líder o ministério de arte da igreja. Acho que vai ser muito bom você conhecê-la e quem sabe até entrar no ministério. – Disse a irmã Maria indo em direção a Fernanda.
- Fernanda, essa é Carol, ela é nova na nossa igreja. – Disse irmã Maria.
- A paz Carol, que legal! seja bem vinda! Olha, a gente tem uma equipe grande que trabalha com arte, nesse ministério todos os jovens e adolescentes da igreja estão participando, vai ser legal você entrar pra interagir com eles, se quiser os nossos ensaios são aos sábados a tarde. – Disse Fernanda.
- Nossa que legal! Mas, aos sábados a tarde eu faço curso. Não vai dar. – respondeu Bia.
- Mas, tem a equipe de louvor da igreja também, eles ensaiam aos domingos de manhã. – afirmou a irmã Maria.
- Mas eu nem canto kkkkk. – Disse Bia

- A gente aprende de tudo aqui. O importante é você se envolver. – respondeu Fernanda.

Uma história simples, mas é um pensamento comum em muitas igrejas! O ministério de louvor, dança, e teatro nunca foram sinônimos de segurar “ovelhas”, especificamente, jovens! Afinal, não é um departamento para jovens, é um ministério para VOCACIONADOS A ARTE como o da pregação, diaconato, pastoreio, liderança, etc.
Vocação ou ocupação? Quando pensei nesse subtítulo é justamente para refletirmos sobre a nossa mentalidade acerca a infiltração de pessoas que não tem a vocação nos ministérios com artes da igreja. Ou seja, elas participam dessas equipes simplesmente por uma ocupação eclesiástica, ou por status, ou por admirarem essa área, ou as encaixam nesses ministérios pelo medo de “perder o membro para o mundo”. Vamos lembrar algo importante “ARTE É VOCAÇÃO”, no reino de Deus não é diferente “ARTE É CHAMADO”, e ouso dizer que não é para todo individuo.
Após a recuperação da arca da aliança e construção do estabelecimento para comportá-la. Davi delegou algumas funções (1Cr. 15), isto é, analisando o texto percebe-se que uns eram cantores, outros instrumentistas, alguns tocavam harpas, outros regentes dos cantores, outros porteiros e assim por diante. Cada um na sua devida função. 
Quanto a você: Qual a sua função? Qual a sua vocação? Qual a sua convicção? Qual é o seu chamado? Se você está em um departamento de louvor, dança e teatro, está no mesmo por uma ocupação ou por vocação?
Quando entendemos que ministério não é plano de carreira os holofotes voltam-se ao sentido real da nossa existência “Deus”, e aprendemos que seja qual for a função, na cozinha ou no louvor, com as crianças ou dançando, pregando ou decorando, tudo coopera para o bem comum do corpo e, principalmente, a manifestação do primogênito “Cristo”; Como Paulo declara “Há diferentes tipos de dons, mas o Espirito é o mesmo. Há diferentes tipos de ministérios, mas o Senhor é o Mesmo. Há diferentes formas de atuação, mas é o mesmo Deus quem efetua tudo em Todos” (1Co 12: 4-6). Isso é Reino de Deus! Diferentes funções mas com o mesmo propósito “Glorificar a Deus”.
Por isso, na dúvida, a oração, a bíblia e a orientação de alguém maduro direciona-nos a convicção do nosso verdadeiro chamado.


 
Kelly Gonçalves