domingo, 9 de setembro de 2018

Sertão: Minha experiência ministerial (Parte 3)



“Eu poderia fazer isso milhares vezes...” disse a mim mesma depois da ministração naquela tarde numa escola no povoado de Luanda PE. Era uma terça-feira á noite quando recebi a missão de ministrar no outro dia para os adolescentes de uma escola pública no povoado de Luanda a pouco mais de 40 km de distância de serra Talhada PE. Eu queria sair correndo, porque  tinham poucas horas para preparar a devocional! Logo que cheguei na casa a qual eu estava hospedada, abri meu caderno de devocionais, eu nunca fiquei tão feliz de ter um caderno tão prático como aquele, vários sermões impressos estavam ali colados nas folhas com pauta, já dizia meu pai: “Obreiro precisa andar preparado”, fez muito sentido naquela hora. Fiquei preparando e estudando até madrugada a fora mesmo sabendo que sairíamos logo cedo para o povoado.
Ao chegar às terras vermelhas de Luanda, o coração palpitava de nervoso apesar do sorriso no rosto, uma amigo missionário me disse: “Até parece que nunca fez isso...!”. Sim, já ministrei várias e várias vezes, mas toda vez o frio na barriga vem, sem contar que ali era um contexto bem diferente a qual eu estava acostumada, também tinha sido “pega de surpresa”. Os alunos da escola foram chegando, a interação foi sendo desenvolvida, e a ministração aconteceu “Sem esboço”! Eu não lembrava qual a última vez de ter feito tantas coisas em 1 hora, ou seja, dançar, dinamizar, pregar, e no apelo final ministrar uma canção... Mas, já que era proposta dos líderes, lá fui eu! As respostas no olhar daqueles adolescentes trouxeram-me a maior convicção de todos os tempos “Fui feita pra Ele e nas coisas Dele está a minha satisfação”. Eu poderia citar tantos outros fatos ministeriais durante a missão, mas essa em especial me avivou tanto que só de olhar as fotos brotam lágrimas nos meus olhos.
Deus nos faz viver momentos que nenhum prazer terreno pode substituir. O aniversário da igreja aproximava-se, juntamos os músicos que estavam na missão, uns do sertão, outros de Minas Gerais, outros de Porto de Galinhas, e eu do Mato Grosso, que mistura musical que deu certo! Aquele ensaio tornou-se um ambiente de adoração, nos divertimos ao som do acordeon nordestino, nenhuma filmagem foi realizada, queríamos apenas estar ali naquela sala de estar da casa pastoral. Novamente, eu tive que parar para fotografar na minha memória aquela manhã de sexta feira.
Que disposição dos missionários do sertão, muito trabalho e poucos recursos para desempenhar tal atividade do reino de Deus! Eram três pontos de culto em lugares diferentes, poucos ministros proativos para desenvolver integralmente a missão, centenas de crianças ansiando pela vida de Jesus, um terreno esperando construção da igreja, e um projeto missionário visionário aguardando corações dispostos!
Portanto, que as nossas mãos não estejam tão encolhidas para que não possamos oferecer mão de obra. Que os nossos olhos não estejam tão vendados ao ponto de não enxergarmos as necessidades dos que estão no campo missionário. Que os nossos ouvidos não estejam tão tampados ao nível de surdez que nos impeça de ouvir o “Ide de Cristo”. Que a nossa boca não esteja tão fechada que não consigamos anunciar as grandezas Divinas.

A quem enviarei, quem há de ir por nós?Então, disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.
(Isaias 6:8).

Kelly Gonçalves

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