A musicoterapia tem ganhado espaço no contexto clínico, a utilização da música
como significativa promoção do bem-estar humano tem atraído centenas de pessoas
para esse novo conceito de remédio psicoterapêutico. Os efeitos causados no
corpo e mente do ser humano por meio da musicoterapia são extraordinários, essa
metodologia alivia a tensão, reduz a ansiedade e nervosismo, promove a
autoestima e também estimula bom desenvolvimento do emocional.
Esses
recursos são fantásticos nas clínicas, mas, o problema está quando a
musicoterapia assume o papel do momento de louvor nas igrejas. Muitas canções
atuais estão sendo derramadas nas congregações para estimular relaxamento e
bem-estar. Quantas letras não falam de nossas emoções ao invés dos atributos de
Deus não estão sendo cantadas nos quatro cantos do planeta terra?
O
propósito Divino para o tempo de louvor eclesiástico nunca foi uma terapia
musical, e sim, adoração ao Ser de Deus. Pois, suspirar, fechar os olhos,
estender as mãos, sorrir, bater os pés, dançar, bater palmas, olhos lacrimejados,
são estados que provém estímulos sonoros causados pela música que adentram os
ouvidos e são convertidos nessas expressões naturais. Todavia, a perspectiva do
louvor e adoração na igreja, biblicamente, não provém de metodologias humanas;
As estratégias oportunizam uma atmosfera agradável para desenvolver o louvor,
mas viver a vida de adoração profunda é para os filhos de Deus que amam estar
em sua presença, e isto, independente se o adorador estiver sob os holofotes ou
no secreto.
“Porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus
é Espírito; e importa que os seus adorares o adorem em espírito e em verdade”
(Jo 4:23-24).
Se
as lágrimas não virem de mãos dadas a adoração em espírito e em verdade, o Deus
que vê o mais profundo do nosso ser encontrará a superficialidade humana
camuflada pela reverência espiritual. É triste ver como a adoração mecânica
tornou-se participante dos cultos dos filhos de Eli. Os rapazes cresceram num
ambiente de ofertas a Deus, eram de família sacerdotal, serviam ao Senhor todos
os dias, contudo, não conheciam a Deus (1 Sm 2:12). A bíblia retrata o
comportamento dos filhos de Eli como crimes, eles foram consagrados para fazer o
serviço na casa de Deus, mas o temor evaporou-se pelas fendas causadas pela
ausência de relacionamento com Deus. Eles não apenas se acostumaram com a
presença do Pai como também usurpavam as coisas do reino de Deus desmerecendo
os sacrifícios de adoração do povo.
Quando a adoração torna-se mecânica as
ministrações transformam-se em meros rituais feitos no altar do destemor a
Deus. O fato de estarmos todos os finais de semana a frente da igreja nos faz
preocupar com as repetições, isso não é errado, mas, ao invés de buscarmos primeiramente
nos joelhos dobrados e na bíblia aberta, por vezes, seguimos tendências criativas
de como levar o povo a adoração. Em um congresso de arte que participei á anos
atrás, o Pr. Adhemar de Campos ministrou numa tarde: “Muitos sobem ao altar não
mais para adorar, mas para serem adorados”. Essa afirmação ficou armazenada na
minha memória, naquele mesmo dia ele pegou o violão e começou a cantar:
“Queremos o Teu nome
engrandecer,
E agradecer-te por Tua
obra em nossas vidas,
Confiamos em Teu infinito
amor,
Pois, só Tu És o Deus
eterno,
Sobre toda a terra e
céus.”
Sem
muitas palavras ou efeitos sonoros a atmosfera de adoração inundou o ambiente, espontaneamente,
as pessoas cantavam em adoração a Deus com todo o vigor e quebrantamento. Essa
percepção que tive naquela noite mudou a minha forma de enxergar o louvor a
Deus.
Alguém
escreveu “Não adianta tirar os pés do chão se o coração não está prostrado”. Portanto,
todas as vezes que o artista cristão se sentir tentado a superficializar a
ministração para criar uma atmosfera espiritual, um conselho sensato seria: Termine
a canção, ou tire as sapatilhas, ou guarde o instrumento, ou tire a maquiagem
cênica, e em arrependimento ore a Deus:
Crie em mim, Senhor, um coração puro e também renove por dentro um
espírito inabalável.
(Sl 51:10).
Mesmo
que sejamos reprovados por muitos, por graça seremos amparados por Deus, pois
um coração compungido e contrito ele não desprezará (Sl 51:17). O Abba Pai se
importa mais pelo que você é do que por aquilo que você faz, Ele se importa
muito mais pela sua adoração pessoal do que pela atmosfera de adoração que poderá
proporcionar a igreja.
Kelly Gonçalves
Trechos da obra"O artista e a formação Cristã".
Em breve.
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