O PROBLEMA DA AUTOSSUFICIÊNCIA DO ARTISTA NO REINO
Eu iniciei a minha vida no mundo das artes ainda
criança em contexto eclesiástico, passaram-se alguns anos e obtendo algumas
experiências, ainda na adolescência tive a necessidade de entrar em uma
academia para aprimorar meus conhecimentos técnicos, e por lá fiquei por
praticamente 7 anos dedicados intensamente á técnica, passei por algumas
escolas em alguns estados diferentes, observei detalhadamente o projeto
politico pedagógico de cada uma, a sua filosofia e estímulo, já que tenho
planos nesse contexto. Tive diversos professores (as), com recursos e didáticas
diferentes. Sempre achei as minhas convicções ministeriais e teológicas muito
fortes, ao ponto de pensar que certos apelos dos profissionais da área não me
persuadiriam e no final de tudo percebi que estava mais envolvida do que
pensava estar, até que a tempo o Senhor me despertou e trouxe-me de volta.
Durante esse tempo, fui bombardeada com várias
projeções: " seja a melhor, seja autoconfiante, seja a razão dos aplausos
da plateia, supere o seu amigo, brilhe, seja crítico, você é boa, etc." Possivelmente,
quem vive a essa realidade entende bem essas afirmações. Já presenciei artistas
ficando neuróticos, já presenciei artistas perdendo o casamento, já presenciei
artistas sendo indiferentes com outros que estão começando no ramo, já vi
professores estimulando a arrogância e soberba de seus alunos (as), já vi
professores que queriam que os seus artistas vivessem em função dele, não
importando para os seus afazeres extras, etc. Esse é o mundo da arte secular,
em que a maioria das academias (algumas até mesmo cristãs) estimulam esses
conceitos da autossuficiência do artista, e detalhe, se o músico, bailarino, ou
ator é dedicado, gosta e tem o talento é imergido nesse contexto, por vezes sem
perceber!
Nos padrões do mundo, a autossuficiência funciona
bem! Mas no reino de Deus, a bíblia condena! Pois, a mesma gera um sentimento
que leva ao orgulho, soberba, e presunção... E essa altivez é abominável aos
olhos do Senhor (Pv. 16:5). A palavra nos diz que Deus resiste aos soberbos (I
Pe 5:5).
Como tem sido comum, dentro de nossas igrejas
músicos, dançarinos, cantores, atores que têm esse coração presunçoso. Sabe que
são bons, amam a ideia de que o ministério precisa deles e que quando eles
estão as coisas fluem muito melhor tecnicamente, tem performance, têm
criatividade, tem boa oratória, e têm consciência de tudo isso, mas e o
coração? Está longe de Deus!
Já vi ministros de louvor, dança, teatro zombando
de outros ministérios por não ter o desempenho que o ministério do mesmo tem.
Já vi líderes colocarem no ministério pessoas muito boas tecnicamente, mas
totalmente sem preparo espiritual e sem um discipulado. Já vi cantores saírem
de ministérios de louvor por não receber mais os solos. Já vi pessoas de renome
da área artística cristã que disseram que não tem tempo para discipulado. O que
os diferencia das artes secular? Fora da igreja as pessoas vão aos espetáculos
de dança como críticos, fora da igreja entram na equipe quem é o melhor, fora
da igreja você precisa ser a estrela! E por que isso tem ocorrido dentro das
igrejas com frequência? Onde foi que eles se perderam? Perderam-se quando a
proposta terrena tornou-se muito mais valiosa do que o propósito eterno.
Estamos no mundo, mas como o próprio Cristo
afirmou: “...não são do mundo, assim como eu não sou do
mundo” (Jo 17:14). Preocupo-me tanto
com a geração de artistas que estão sendo formadas há alguns anos,
transbordando em técnica e modismo, e vazias da palavra de Deus e sua presença.
O processo de transformação de artistas com essa
cultura é doloroso, e exigem do líder muita paciência, discipulado, oração, e
firmeza nas escrituras, pois a mesma claramente diz "Mas agora vos gloriais em vossa presunções: Toda glória tal como
esta é maligna (Tg 4:16)”; a arrogante pretensão é um pecado como qualquer
outro, e é só o Espirito que convence o homem do pecado e do Juízo!
Nós, que executamos a arte no reino, somos
bombardeados a todos os instantes com propostas autossuficientes, que coração
pretensioso é o nosso! Só venceremos essa fraqueza com uma vida de
consagração contínua e mortificação da nossa carne diariamente!
Pois, por mais belos sejam as nossas expressões
artísticas, como bem disse Isaías, nossas
ações não passam de trapos de imundícia (Is 64:6), E Paulo vai dizer: "que tens tu que não tenhas recebido? E
se o recebeste, porque te glorias, como se não o houveras recebido? (I Co
4:7)". Tudo o que temos é por graça Divino! Finalizo essa coluna com
um trecho da música do "Os arrais":
“Eu voltaria atrásPra tentar me avisar
Que o caminho será escuro
Mas que Cristo é a luz do mundo
Deixe ele te falar quem você é
Que a palavra te desfaça
Que te afogue em tua graça
Só a cruz esconderá quem você não é".
Kelly Gonçalves
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