sábado, 3 de novembro de 2018

A adoração não provém de metodologias.

A musicoterapia tem ganhado espaço no contexto clínico, a utilização da música como significativa promoção do bem-estar humano tem atraído centenas de pessoas para esse novo conceito de remédio psicoterapêutico. Os efeitos causados no corpo e mente do ser humano por meio da musicoterapia são extraordinários, essa metodologia alivia a tensão, reduz a ansiedade e nervosismo, promove a autoestima e também estimula bom desenvolvimento do emocional.
Esses recursos são fantásticos nas clínicas, mas, o problema está quando a musicoterapia assume o papel do momento de louvor nas igrejas. Muitas canções atuais estão sendo derramadas nas congregações para estimular relaxamento e bem-estar. Quantas letras não falam de nossas emoções ao invés dos atributos de Deus não estão sendo cantadas nos quatro cantos do planeta terra?
O propósito Divino para o tempo de louvor eclesiástico nunca foi uma terapia musical, e sim, adoração ao Ser de Deus. Pois, suspirar, fechar os olhos, estender as mãos, sorrir, bater os pés, dançar, bater palmas, olhos lacrimejados, são estados que provém estímulos sonoros causados pela música que adentram os ouvidos e são convertidos nessas expressões naturais. Todavia, a perspectiva do louvor e adoração na igreja, biblicamente, não provém de metodologias humanas; As estratégias oportunizam uma atmosfera agradável para desenvolver o louvor, mas viver a vida de adoração profunda é para os filhos de Deus que amam estar em sua presença, e isto, independente se o adorador estiver sob os holofotes ou no secreto.

Porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é Espírito; e importa que os seus adorares o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4:23-24).

Se as lágrimas não virem de mãos dadas a adoração em espírito e em verdade, o Deus que vê o mais profundo do nosso ser encontrará a superficialidade humana camuflada pela reverência espiritual. É triste ver como a adoração mecânica tornou-se participante dos cultos dos filhos de Eli. Os rapazes cresceram num ambiente de ofertas a Deus, eram de família sacerdotal, serviam ao Senhor todos os dias, contudo, não conheciam a Deus (1 Sm 2:12). A bíblia retrata o comportamento dos filhos de Eli como crimes, eles foram consagrados para fazer o serviço na casa de Deus, mas o temor evaporou-se pelas fendas causadas pela ausência de relacionamento com Deus. Eles não apenas se acostumaram com a presença do Pai como também usurpavam as coisas do reino de Deus desmerecendo os sacrifícios de adoração do povo.
 Quando a adoração torna-se mecânica as ministrações transformam-se em meros rituais feitos no altar do destemor a Deus. O fato de estarmos todos os finais de semana a frente da igreja nos faz preocupar com as repetições, isso não é errado, mas, ao invés de buscarmos primeiramente nos joelhos dobrados e na bíblia aberta, por vezes, seguimos tendências criativas de como levar o povo a adoração. Em um congresso de arte que participei á anos atrás, o Pr. Adhemar de Campos ministrou numa tarde: “Muitos sobem ao altar não mais para adorar, mas para serem adorados”. Essa afirmação ficou armazenada na minha memória, naquele mesmo dia ele pegou o violão e começou a cantar:
“Queremos o Teu nome engrandecer,
E agradecer-te por Tua obra em nossas vidas,
Confiamos em Teu infinito amor,
Pois, só Tu És o Deus eterno,
Sobre toda a terra e céus.”
Sem muitas palavras ou efeitos sonoros a atmosfera de adoração inundou o ambiente, espontaneamente, as pessoas cantavam em adoração a Deus com todo o vigor e quebrantamento. Essa percepção que tive naquela noite mudou a minha forma de enxergar o louvor a Deus.
Alguém escreveu “Não adianta tirar os pés do chão se o coração não está prostrado”. Portanto, todas as vezes que o artista cristão se sentir tentado a superficializar a ministração para criar uma atmosfera espiritual, um conselho sensato seria: Termine a canção, ou tire as sapatilhas, ou guarde o instrumento, ou tire a maquiagem cênica, e em arrependimento ore a Deus:
Crie em mim, Senhor, um coração puro e também renove por dentro um espírito inabalável.
(Sl 51:10).
Mesmo que sejamos reprovados por muitos, por graça seremos amparados por Deus, pois um coração compungido e contrito ele não desprezará (Sl 51:17). O Abba Pai se importa mais pelo que você é do que por aquilo que você faz, Ele se importa muito mais pela sua adoração pessoal do que pela atmosfera de adoração que poderá proporcionar a igreja.

Kelly Gonçalves
Trechos da obra"O artista e a formação Cristã".
Em breve.

domingo, 9 de setembro de 2018

Sertão: Minha experiência ministerial (Parte 3)



“Eu poderia fazer isso milhares vezes...” disse a mim mesma depois da ministração naquela tarde numa escola no povoado de Luanda PE. Era uma terça-feira á noite quando recebi a missão de ministrar no outro dia para os adolescentes de uma escola pública no povoado de Luanda a pouco mais de 40 km de distância de serra Talhada PE. Eu queria sair correndo, porque  tinham poucas horas para preparar a devocional! Logo que cheguei na casa a qual eu estava hospedada, abri meu caderno de devocionais, eu nunca fiquei tão feliz de ter um caderno tão prático como aquele, vários sermões impressos estavam ali colados nas folhas com pauta, já dizia meu pai: “Obreiro precisa andar preparado”, fez muito sentido naquela hora. Fiquei preparando e estudando até madrugada a fora mesmo sabendo que sairíamos logo cedo para o povoado.
Ao chegar às terras vermelhas de Luanda, o coração palpitava de nervoso apesar do sorriso no rosto, uma amigo missionário me disse: “Até parece que nunca fez isso...!”. Sim, já ministrei várias e várias vezes, mas toda vez o frio na barriga vem, sem contar que ali era um contexto bem diferente a qual eu estava acostumada, também tinha sido “pega de surpresa”. Os alunos da escola foram chegando, a interação foi sendo desenvolvida, e a ministração aconteceu “Sem esboço”! Eu não lembrava qual a última vez de ter feito tantas coisas em 1 hora, ou seja, dançar, dinamizar, pregar, e no apelo final ministrar uma canção... Mas, já que era proposta dos líderes, lá fui eu! As respostas no olhar daqueles adolescentes trouxeram-me a maior convicção de todos os tempos “Fui feita pra Ele e nas coisas Dele está a minha satisfação”. Eu poderia citar tantos outros fatos ministeriais durante a missão, mas essa em especial me avivou tanto que só de olhar as fotos brotam lágrimas nos meus olhos.
Deus nos faz viver momentos que nenhum prazer terreno pode substituir. O aniversário da igreja aproximava-se, juntamos os músicos que estavam na missão, uns do sertão, outros de Minas Gerais, outros de Porto de Galinhas, e eu do Mato Grosso, que mistura musical que deu certo! Aquele ensaio tornou-se um ambiente de adoração, nos divertimos ao som do acordeon nordestino, nenhuma filmagem foi realizada, queríamos apenas estar ali naquela sala de estar da casa pastoral. Novamente, eu tive que parar para fotografar na minha memória aquela manhã de sexta feira.
Que disposição dos missionários do sertão, muito trabalho e poucos recursos para desempenhar tal atividade do reino de Deus! Eram três pontos de culto em lugares diferentes, poucos ministros proativos para desenvolver integralmente a missão, centenas de crianças ansiando pela vida de Jesus, um terreno esperando construção da igreja, e um projeto missionário visionário aguardando corações dispostos!
Portanto, que as nossas mãos não estejam tão encolhidas para que não possamos oferecer mão de obra. Que os nossos olhos não estejam tão vendados ao ponto de não enxergarmos as necessidades dos que estão no campo missionário. Que os nossos ouvidos não estejam tão tampados ao nível de surdez que nos impeça de ouvir o “Ide de Cristo”. Que a nossa boca não esteja tão fechada que não consigamos anunciar as grandezas Divinas.

A quem enviarei, quem há de ir por nós?Então, disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.
(Isaias 6:8).

Kelly Gonçalves

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

O ARTISTA (24 de agosto)

Quem fez aquele metrô que você viaja? Quem foi o gênio que criou a programação da televisão? Quem criou aquele objeto prático que você utiliza todos os dias? Aquele belo painel quem o desenhou? Quem conhece o autor daquela linda estátua no Egito, na Roma, na Grécia, ou até mesmo em sua cidade? Quem compôs aquele ballet de repertório que você ama? E aqueles cenários dos espetáculos? Quem criou aquele solo musical que marcou gerações? Quem é o autor daquela poesia que por vezes parte dela fica gravada na sua memória?

Artistas, por vezes anônimos, mas grandes artistas com profundidade em seu talento, esforço, caráter e dedicação! Artistas que gritam com a arte, artistas que veem o mundo de forma diferente, artistas que colaboram para o desenvolvimento de outros artistas, artistas que se sensibilizam com as causas sociais e pessoais com muita facilidade, artistas que tem lágrimas na voz, na dança, nos acordes entoados, nos desenhos expressados, em uma frase no papel.
Uma referência de artista é Charles Chaplin (1889), o mesmo é considerado por muitos críticos do seu tempo o maior artista cinematográfico de todos os tempos. Foi um ator, dançarino, músico britânico, diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante e roteirista. Tão completo que atuou, dirigiu, escreveu, produziu e financiou os seus próprios filmes.Portanto, eis ai alguém que pode representar os artistas do mundo. Uma das melhores referências de autenticidade, criatividade, inteligência e comédia.
Sejam artistas de renome ou anônimos, são eles que complementam o mundo que maior artista (Deus) nos deu, para alegrar, desenvolver, embelezar e trazer a cor ao nosso mundo cinza. Parabéns a todos os artistas que compreendem o valor da arte. Sejam eles, bailarinos, músicos, atores, desenhistas, designer, escritores, poetas, malabaristas, etc.

Temos a arte para não morrer da verdade. (Friedrich Nietzsche).

24 de agosto – DIA DO ARTISTA

KELLY GONÇALVES

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Sertão: Minha experiência cultural. Parte 2


O ápice das montanhas cobertas por nuvens acinzentadas compunham aquele cenário receptivo de Serra Talhada PE, queria ter tido mais tempo para observar aquela obra artística do Criador mais de perto. As casas a primeira vista eram pequenas, a maior parte das ruas eram feitas de paralelepípedos, e cidadãos do sorriso aberto. Fiz uma oração ao entrar naquela cidade: “Senhor, o que tem para mim nesse tempo?"
Chegamos naquele sertão Pernambucano, eu fiquei hospedada na casa dos pastores amigos meus da época de seminário, tinham poucas horas antes do primeiro culto naquele domingo, descansamos rapidamente e fomos ao ponto de culto da IPR no centro, foi o meu primeiro contato com o povoado de Serra. Sinceramente, surgiu um frio na barriga pela saudação que tive que trazer naquela noite e ao mesmo tempo uma alegria imensa em poder viver tudo aquilo; no inicio do culto preocupava-me: “Caraca Deus, será que eles vão entender o que eu vou falar no púlpito? será que vão saber as músicas as quais eu estou acostumada a cantar?”. Durante a pregação do Pr. Samuel eu ficava meio confusa com as gírias nordestinas usadas por ele, frequentemente perguntava a sua esposa: “O que isso quer dizer mesmo?”, algumas coisas soavam como outra língua para mim! Não sabia que eu tinha sotaque forte até perceber que o meu "Senhoorrrrrrr, amorrrrrr, favooorrr" cuiabano trouxeram várias piadinhas.
Na segunda-feira, uma caravana de 46 pessoas de Minas Gerais estavam para chegar, também um grupo de pastores e missionários de Porto de Galinhas PE, eu juntamente com os pastores e outros dois amigos missionários nos apressamos em deixar tudo pronto para recepcioná-los. Que correria! Eu estava com uma curiosidade enorme de conhecê-los já que todos falavam há dias dessa galera que estava por vir. No final da tarde todos chegaram, os conheci naquele mesmo dia, me encantei com o tamanho carisma, energia e disponibilidade daquelas pessoas, eu pensava comigo: “Cara, que gás é esse dessa turma, é até difícil de acompanhar”. A alegria era contagiante! Eles tornaram-se especiais em tão pouco tempo!
Eu queria conhecer tudo o que pudesse enquanto estava ali! O couro me atraiu, eu até queria uma sandália de couro pra mim, mas decidi levar para a minha mãe e minha tia como havia prometido, a pessoa aqui não estava esbanjando grana para tantas compras assim, mas lembrancinhas muitas lembrancinhas típicas obviamente quis levar, inclusive a rapadura.  Por onde eu passava no centro da cidade tinha alguém com sandálias, ou chapéu, ou bolsas, ou pulseiras de couro, se pudesse levaria um de cada. 
Que café da manhã era aquele? Eu não sou familiarizada com tanta fartura no café da manhã, as vezes nem sento para tomar café pra falar a verdade, e no sertão comi até peixe frito no período matutino. Confesso, que eu tinha sérios receios ao comer os pratos típicos, nunca fui nojenta com comidas, mas, enfim, a carne de bode me dava repulsas, mas curiosamente experimentei o tal do “mungunzá” e também a famosa carne de bode, e não é que gostei, sim eu comeria outra vez!
As origens do sertão elucidaram o nosso entendimento sobre a cultura e comportamento do povo pernambucano, a minha visita ao museu do cangaço me fizeram infiltrar na história social, religiosa e artística nordestina. O que não podia faltar era um dos maiores espetáculos sobre Lampião e Maria Bonita justamente na semana que eu estava por lá. Ah a beleza da arte! O cenário, os figurinos, a iluminação, a dança típica (xaxado), a música regional, a atuação, as boas companhias, o frescor gelado noturno (por incrível que pareça estava muito fresco), que noite agradável!
No último dia, eu tive um momento único! Sentada no chão como estava, parei para observar tudo o que estava vivendo, enquanto escutava alguém ao meu lado cantar com o violão graciosamente, pela primeira vez eu não queria cantar, nem falar nada, não queria tirar fotos, só queria ouvir a canção e fotografar na minha memória tudo o que eu havia vivenciado ali! Não queria esquecer daqueles dias! Então fiz outra oração: “Obrigada pelo presente Deus, sinto-me viva outra vez, é bom estar de volta”.
Meu caro leitor, se eu puder te aconselhar a algo, digo: Invista em viagens com propósitos missionários/ministeriais, além da bagagem ministerial/espiritual que você armazena para si, sem dúvidas, o conhecimento cultural enriquece a sua formação, isto é, conhecimento e experiência é algo que ninguém pode roubar. 
Eu sempre amei conhecer lugares e pessoas, uma aventureira nata como alguns dizem, descobri através dessas viagens que posso me adaptar rapidamente a cultura que me proponho, mas eu também descobri que viagens como essa que fiz para o sertão nordestino me deixam muito mais realizada do que as que fiz como turista apenas, talvez porque tenha um propósito maior do que eu mesma. Por isso digo novamente, ore, invista, conheça, e vá, isto é reino! Garanto que a sua cosmovisão pode mudar muito, ás vezes vamos com a mentalidade de ministrar sobre as pessoas, e no final, nós é quem somos ministrados!
Na PARTE 3 estarei relatando sobre o tempo de missões, ministério, espiritualidade durante os dias ali.

KELLY GONÇALVES



segunda-feira, 6 de agosto de 2018

SERTÃO: Minha experiência - A chegada (parte 01)


SERTÃO: Minha experiência - A chegada (parte 01).

PODE CONFIRMAR! ESTAREI COM VOCÊS EM JULHO! Disse aos pastores de Serra Talhada PE . Há tempos que eu queria doar minhas férias em prol de um tempo na missão. Eu não queria apenas ouvir e contar as experiências de quem já foi ao sertão, eu desejava ir para vivenciar um pouco do que Deus já tem realizado naquele lugar. 5 meses antes da minha ida, eu já tinha confirmado, embora ainda não tivesse os recursos! Orei a Deus, me programei, pela fé confirmei, e fui! Os pastores me disseram dias antes de eu pegar vôo “o primeiro teste são as malas pequenas”, bom, quem me conhece sabe, com toda a certeza, que fui reprovada já nessa primeira prova, minha mala deu cerca de 23 kl, que desespero foi no aeroporto, ninguém gosta de pagar excesso de bagagem!
Enfim, cheguei de paraquedas num congresso de evangelismo do sertão nordestino, o qual eu confesso que nunca tinha ouvido falar, até mesmo quando os pastores disseram para eu me inscrever nesse evento em Juazeiro do Norte CE, subestimei! Pensei que era uma conferência simples em um a igreja local, mas quando percebi a proporção do movimento deu nó na garganta. Eram mais de 1000 pessoas que amavam missões, de vários Estados diferentes do Brasil, a maioria pastores, missionários e obreiros no campo missionário.  O calor das pessoas as quais conheci nesses dias do congresso ficaram guardados na memória e para perpetuar esse tempo “dá-lhe fotos”, foi renovador rever alguns amigos da época do seminário, trouxeram momentos nostálgicos marcados por uma fase transformadora.
Numa manhã, enquanto conversava com uma baiana “arretada” descobri que sou normal no meio dos loucos, a reciprocidade ao compartilhar alguns sonhos com tanta naturalidade me fez ficar reflexiva, eu até disse a ela “Fez sentido agora eu estar aqui”, depois daquele bate-papo eu até poderia ter ido pra casa já satisfeita e compreendendo muitos propósitos que anteriormente estavam ofuscados aos meus olhos ainda.
Observar todos os projetos cristãos sendo desenvolvidos no sertão reunidos em um único cenário foi fantástico! Quantos testemunhos, quanta ousadia, quanta criatividade! Ás, vezes, eu até pensava que parecia que nada estava acontecendo no mundo, mas quando vários missionários, de várias denominações diferentes, dos mais diversos perfis testemunharam os seus objetivos missionários sendo executados no sertão brasileiro eu pensei: “Uou, olha isso, Deus está fazendo”.
Uma tarde, em especial, fui juntamente com alguns amigos da igreja Presbiteriana Renovada de Serra Talhada PE (IPR) num ponto turístico religioso, neste morro tinha uma imagem gigantesca do Padre Cícero, havia também a uma casa que a sua decoração era composta pelas oferendas dos seguidores do mesmo, isto é, partes do corpo humano de madeiras, fotos, presentes estavam pendurados na parede daquele "santuário" como recebimento de curas. O comércio religioso estava bem atuante naquele local, algumas pessoas escreviam aos pés da Imagem do Padre Cícero as suas frases de devoção, mas uma amiga escreveu “Deus é o Deus dos vivos”. Por vários extremos da cidade de juazeiro do Norte encontramos igrejas católicas, em vários comércios a imagem atuante do Padre Cícero recepcionava os clientes. Sem dúvidas, até hoje pelas cidades que já passei, nessa cidade a idolatria é forte! Mas, eu percebi que o Deus vivo tem dinamizado pessoas para sarar os sertanejos.
Após 5 dias em Juazeiro do Norte CE, prossegui rumo á Serra Talhada- PE juntamente com a liderança da IPR.


Kelly Gonçalves


terça-feira, 26 de junho de 2018

Uma carta ao ministro de louvor.

De: Malaquias 1:6-14.
Para: Você's, ministério de louvor.



"Vocês sabem que o filho respeita o pai. E o servo respeita o seu senhor. Ministério de louvor, se eu sou ambas as figuras de autoridade, tanto um pai amoroso, quando senhor poderoso, por que vocês não tem tido temor? Vocês estão deixando a desejar quanto ao meu nome cantado em suas canções. Daí vocês me perguntam: "Quem? Nós? Uai Senhor, de que maneira desprezamos o seu nome?". Eu respondo: Vocês estão oferecendo adoração sem pureza. Aí vocês perguntam outra vez: "Adoração sem pureza? Quando fizemos uma coisa dessas Deus?".  Vocês sempre dizem: " Ah não é necessário trazer a nossa melhor adoração, a nossa melhor oferta. Assim como está, está bom! Não faz mal oferecer um louvor deficiente sobre o altar, não faz mal oferecer uma ministração doente, sem preparo". 
Ministério de louvor, experimentem oferecer isso as autoridades da sua região. Deem a eles uma ministração como vocês tem feito com frequência, será que o governador irá aceitar? Daí, vocês oram: " Que o Senhor segundo a sua misericórdia receba o nosso louvor que não preparamos, que Ele tenha compaixão de nós". E muitas e muitas vezes vocês repetem esse pedido. Mas, trazendo a oferta que vocês tem trazido no meu altar, por que vocês acham que eu deveria conceder alguma graça a vocês? 
...Quem me dera achar um no meio de todos vocês que se indignasse e parasse a adoração de vocês. Por que eu, o Senhor, não tenho tido prazer nela e não aceitarei a adoração deficiente de vocês. O meu nome é respeitado pelas nações. Em vários lugares ministérios de louvor oferecem adoração pura para me honrar. Mas, vocês, não tem honrado o meu nome através das músicas cantadas no meu altar. Pra vocês, o meu altar não tem sido importante e nem prioridade, a adoração está impura! E vocês dizem: "Ah é tão difícil servir ao Senhor e fazer o que Ele pede". Vocês não tem dado a importância necessária à palavra que tenho dado para que vocês obedeçam. Vocês tem oferecido uma adoração doente e usurpada. Será que posso aceitar uma oferta assim?
Eis a minha palavra: Maldito o homem que promete um carneiro forte de seu rebanho e oferece ao Senhor um animal doente. Pois, eu sou o grande rei e meu nome deve ser profundamente respeitado entre as nações.


Kelly Gonçalves - Adoração deficiente
Paráfrase de Malaquias 1:6-14

sábado, 2 de junho de 2018

"Ah os contos de fadas e o mundo real".


"...Ah os contos de fadas e o mundo real."

"Ah os contos de fadas e seus finais felizes. Ouvimos incontáveis vezes sobre eles na infância. De modo, que, inconscientemente, crescemos acreditando que tudo se resolve, tudo se encaixa, e o final é o ápice da história.
Confiantes esperamos que as intervenções em nosso mundo venham de fontes externas. Do príncipe que irá nos salvar daquela prisão em uma torre alta e solitária; Da fada madrinha que, caridosamente, estenderá as mãos transformando pequenos arsenais em espetaculares projeções; Que alguém irá nos despertar de um sono profundo.
Mundo fantasioso esse o nosso! Mas, com o tempo, aprendemos que nunca se tratou "deles" sempre fomos "nós". Nossas crises, nossos traumas, nossos medos, nossa ingenuidade, nossas feridas, nossas perguntas, nossas possíveis respostas...! Alguém tem que resolver! 
E no mundo real, as fontes externas podem até colaborar, mas adivinha quem terá que zerar?
Bem vindo ao mundo real, aonde esse não é o país das maravilhas!"



Por Kelly Gonçalves

domingo, 13 de maio de 2018

APOSTILA DO CURSO DE MONTAGEM TEATRAL: Para igrejas.


  APOSTILA DO CURSO DE MONTAGEM TEATRAL
Ênfase em construção de roteiros para peças teatrais cristãs.
Por Kelly Gonçalves

20 Dicas sobre a construção de um roteiro em contexto cristão.
   1)    Faça rascunhos, muitos rascunhos, se necessário.
   2)    Tenha um tema.
   3)    Não se constrói uma peça cristã sem uma bíblia ao lado.
   4)    Pesquise sobre o tema.
   5)    Observe a ideia do roteiro em sua praticidade no dia-a-dia.
  6)    Leia comentários teológicos, escute pregações, leia versões diferentes do texto bíblico base da peça.
   7)    Imagine um cenário para a história. Ex.: Hospital, Mercado, casa, festa, etc.
   8)    Não fuja do tema no decorrer da peça.
  9)    A história precisa ter um inicio, meio e um fim.
  10)  Os 5 primeiros minutos da peça costumam determinar o nível de atenção do público.
  11) Dê corpo pra peça e para os personagens;
  12) Traga dinâmica a peça;
  13) Os personagens precisam ter ligação entre eles.
  14) Preocupe-se com a transição de uma cena para outra.
 15) Fale em alta voz o que você escreveu, assim poderá examinar a uniformidade nas narrativas.
  16) Evite longas falas, exceto se for um monólogo.
  17) Analise se o texto bíblico condiz com a mensagem prática da peça;
  18) Revise o trabalho quantas vezes forem necessárias.
  19) Mantenha o mesmo tipo de linguagem do inicio ao fim da peça.
  20) Crie. Evite plágios!
Na montagem “Questione”
  1)    Qual a base bíblica?
  2)    Qual o tema?
  3)    Qual o problema?
  4)    Como o problema será resolvido?
  5)    Como serão os personagens?
  6)    Qual o cenário?
Estrutura
Na estrutura/esqueleto de uma peça teatral é importante ter pelo menos:
·        *  O nome da peça.
·         * O nome do autor.
·         * O nome dos personagens.
·         * A introdução: Com breves informações sobre a ideia da peça.
·        *  Atos e cenas.
Desafio
·        * Escolha um texto bíblico (Aquele que Deus tem falado com você nos últimos dias).
·         *Leia ele algumas vezes e pense em como pode ser aplicado aos dias atuais.
·         *Pense em um tema.
·         *Pense em personagens e no cenário.
·         *Pense em um problema
·         *Construa a peça.
Conclusão
Portanto, se inspire, crie, ore, observe, estude. Segundo Rookamaaker existe um antigo ditado que diz que qualquer boa obra é 95% transpiração e 5% inspiração. Não existe trabalho bom instantâneo. Com exceção do café, nada é instantâneo nesse mundo. Em Deus podemos construir peças fantásticas que alcançam vidas, pois esse é o propósito o qual Cristo nos convocou!



Por Kelly Gonçalves.

Todos os direitos autorais reservados a escritora.

-Cursos ocorrido no dia 12/05/18.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Arte como evangelismo: Ministrando fora das quatro paredes da igreja.



Arte como evangelismo: Ministrando fora das quatro paredes da igreja.

Ir para as ruas com a equipe de arte nunca foi uma tarefa tão simples para algumas igrejas; O ajuntamento de pessoas, a data, o local, o propósito, a estratégia, por vezes são planejadas durante o ano todo, e mesmo com os recursos milimetricamente organizados acontece, algumas vezes, do departamento não executar a missão.
 Em contraste, outras igrejas enviam os seus ministros na arte com muita frequência, agrupam a equipe e mais alguns voluntários da igreja e vão ás ruas, ás vezes sem estratégia, sem preparação espiritual de todos, ou só para expressar que “crente não é careta” ou que “são loucos por Jesus”.
São extremos que precisam ser recapitulados. Na minha igreja, por exemplo, temos a cautela de enviar os nossos artistas as ruas, o que não quer dizer que não o fazemos, mas, trabalhamos com o preparo espiritual durante um tempo antes da exposição destes. Essa intervenção ocorre, não pelos perigos existentes nas ruas, não pelas pregações por meio da arte, não por anularmos a visão de missões urbanas, mas, por nos preocuparmos com a espiritualidade dos ministros envolvidos nesses trabalhos evangelísticos.
Não é fácil ter esse equilíbrio entre o preparo espiritual/estratégico do artista cristão e missões urbanas. O missionário Jesus, por exemplo, antes de falar o “IDE” treinou os discípulos durante três anos, a bíblia também afirma que Jesus orou durante horas para a escolha das pessoas especificas pra essa missão (Lc 06: 12-16), isto é, tudo começa nos joelhos dobrados.
 Reconheço a necessidade de evangelismo fora das quatro paredes eclesiásticas, até porque é incumbência Divina; Sim, devemos entregar os convites para as bodas do cordeiro aos lugares com o público mais vulnerável socialmente assim como nos contextos com mais difícil acesso ao cristianismo. Contudo, enviar os ministros na arte para as ruas sem treinamento anteriormente é como enviar soldados a guerra sem que os mesmos saibam usar as armas que tem.
A paixão por Jesus, a preparação espiritual, e a estratégia missionária tem a necessidade de caminhar de mãos dadas. Porque se eu estou preparada espiritualmente e com estratégia missionária, a paixão por Jesus não será apenas uma euforia efêmera podendo aguardar o calendário. Se eu estou apaixonada por Jesus e tenho preparação espiritual para tal trabalho evangelístico não seremos tão ignorantes ao ponto de dispensarmos as técnicas para abordar o individuo nas ruas, pois, temos a visão que essa estratégia é necessária para o avanço do reino. E se temos a paixão por Jesus e a estratégia missionária, mas, não temos o preparo espiritual, somos instigados a agir por impulsos emocionais cheios de estratégias nas mãos, contudo sem as armaduras espirituais que o apóstolo Paulo indica (Ef. 6:10-20).
Portanto, o evangelismo é importante, a arte como evangelismo é essencial, ministrar fora das quatro paredes é convocação! Mas, não se esqueça de que o preparo e a estratégia são fundamentais na vida daqueles que amam a missão de Jesus, assim, não comprometendo a espiritualidade dos mais fracos na fé que não estão preparados o suficiente para falar sobre a obra da cruz aos mais diversos públicos. Como liderança ou não, que sejamos guiados por Deus e pelo discernimento que é gerado por meio da oração.

Kelly Gonçalves

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

(Parte 2) Por que teologia se você trabalha com arte?

 (Parte 02) Por que teologia se você trabalha com arte?

Em qualquer local que você for realizar uma pesquisa sobre o conceito da arte as descrições serão similares. Em breves palavras, estudos em geral afirmam que a arte é uma linguagem utilizada pelo ser humano para expressar suas emoções, sua cultura, sua história por recursos estéticos e de comunicação manifestados através da música, dança, teatro, pintura, escrita, etc.
O autor Hookmaaker no livro “A arte não precisa de justificativa” lembra que “a arte tem um lugar complexo na sociedade. Ela cria as imagens significativas pelas quais são expressas coisas importantes e comuns... A arte também pode dar forma ao nosso descontentamento, nosso desconforto em relação a certos fenômenos. Ela pode dar forma ao protesto. Se feita da maneira certa, ela não deve ser destrutiva ou fragmentar o que é bom”. (Hookmaaker, pg. 52-53). Isto é, a arte descreve por meio de imagens a realidade da sociedade, além de revelar a nossa percepção de mundo, podendo ser usada para construir ou desconstruir algum ideal. Consegue compreender o poder que arte tem sobre o social?
 Sobre a igreja não é diferente, ela revela o domínio do conteúdo das escrituras que temos e se fomos fiéis à sã doutrina, ela pode ensinar o conteúdo bíblico ou pode desconstruir o ensinamento de Jesus. O Artista Cristão (aquele que faz arte e é cristão) quando tem esse entendimento precisa assumir a responsabilidade daquilo que o mesmo tem pregado através da sua música, dança, teatro, escrita, etc. Entre tantos pensamentos sobre a importância de conciliar a arte e a teologia, separei pelo menos 2 razões pelas quais eu acredito que todo artista precisa ter conhecimento teológico:

1) O artista cristão precisa ser coerente quanto aos ensinamentos sobre O Cristo anunciado por meio da sua arte.

Partindo do entendimento que a arte é comunicação, o artista cristão com certeza vai expor através das suas expressões o nível do seu conhecimento bíblico. A análise teológica daquilo que dançamos, cantamos, tocamos, atuamos, ou escrevemos precisa estar presente em nossas expressões tanto quanto o tempo que levamos para desenvolver a nossa técnica artística, pois há ensinamentos sendo repassados para as pessoas que estão nos assistindo.
Paulo escreveu ao jovem Pastor Timóteo (II Tm 4:14-16): “ Não deixe de usar o dom que Deus lhe deu por meio dos profetas quando os líderes da igreja colocaram as mãos sobre a sua cabeça (14) ... Mantenha-se vigilante em tudo quanto FAZ E PENSA. Permaneça fiel ao ENSINAMENTO e você salvará tanto a você mesmo como aos que ouvem (16). Ou seja, aplicando a linguagem artística eu diria: “ Seja prudente em sua arte, amplie a sua percepção quanto ao seu cuidado em cada obra de arte que for fazer e pensar. Primeiro como cristão, e depois como artista. Mantenha-se fiel ao Ensinamento da palavra e assim irá zelar espiritualmente por você e pelo próximo.
Portanto, Se somos cristãos e vivenciamos o Cristianismo na Verdade precisamos ensinar sobre Cristo segunda a palavras que Ele mesmo inspirou. É importante a coerência na mensagem que repassamos para os nossos liderados e também para o público e para isso é preciso de uma dose de teologia.

2) Todo artista cristão é um pregador.

Sim, todo artista cristão é um pregador, o que difere são as linguagens utilizadas para compartilhar a sua pregação. Como escreveu Francisco de Assis “Pregue o evangelho em todo o tempo, se possível use palavras”. Paulo vai aconselhar Timóteo: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2:15). A partir da compreensão que somos obreiros com recursos artísticos como você tem manejado as santas escrituras?
Com a arte nós conseguimos pregar a palavra em lugares abertos para o evangelho ou não, podemos corrigir, repreender, exortar com longaminidade e doutrina (Tm 4:2) sem brutalidade como escreveu Bob Marley: “Uma coisa boa sobre a música é que quando ela bate você não sente dor”, além de manter o público atento a mensagem que queremos comunicar sem que haja dispersão já que a arte é uma mensagem estéticamente atrativa. Mesmo quando as pessoas se recursarem a ouvir a sã doutrina (Tm 4:3-4), a arte é um excelente método de evangelismo que faz o ser humano dar um tempo em suas atividades para prestar atenção naquela mensagem. Nós, artistas cristãos, e a igreja reconhecemos esse valor na arte. Contudo, preocupo-me com a qualidade teológica nas pregações que temos espalhados por ai. Eu sou um artistas cristão e sou uma pregadora, e por eu ser essa pregadora eu preciso de teologia.

Por que teologia se você trabalha com arte? 

Porque o artista cristão precisa ser coerente com o Cristo anunciado por meio de suas expressões artísticas, também porque a luz da palavra você é um pregador.  Para completar a resposta trouxe um trecho do primeiro artigo sobre esse tema “Justamente porque eu trabalho com arte que eu preciso de teologia. Eu acredito que todo o artista necessita ter o mesmo nível de conhecimento que um pastor. O campo de arte desenvolve muito o emocional, por isso, uma dose de conhecimento teológico ajuda-nos a ter o equilíbrio necessário para executarmos uma arte bíblica sem pecarmos contra a palavra de Deus “com muita emoção, mas também com inteligência”.
Ebenézer Emerick afirmou :"Se não crescermos no conhecimento da Palavra não cresceremos em boas obras. É a Palavra que nos leva as ações corretas". Sendo assim, conheça a palavra de Deus, estude, corrija-se, cresça, pratique boas obras e componha uma bela obra de arte a luz da palavra de Deus.

Kelly Gonçalves


sábado, 20 de janeiro de 2018

Por que teologia se você trabalha com arte? (Parte 01)

Por que teologia se você trabalha com arte? (Parte 01)

Desde que optei por teologia em minha primeira graduação algumas pessoas perguntavam: “Por que teologia se você trabalha com arte? Afirmavam: "Você poderia optar por licenciaturas em artes cênicas, música, dança, ou educação física, etc"; E eu sempre respondi que eu tinha objetivos ministeriais ao fazer o seminário teológico, inclusive, na arte! E com o decorrer dos anos percebi o quanto o conhecimento teológico transformou a minha visão de reino e arte. 
Hoje, pra todos os extremos artísticos eu utilizo a teologia, como isso é possível? Quais os benefícios da teologia vinculada a arte? Quem cursou teologia sabe como ela é ampla, por isso, com base em experiências pessoais vou citar alguns exemplos a respeito de como a teologia expandiu meu mundo ministerial e profissional nas artes. Por exemplo:
- Teatro: Ao montar um roteiro de uma peça, a teologia me ajuda com a estrutura do roteiro, a profundidade bíblica e escrita (Já que a gente passa quatro anos fazendo e desfazendo sermões com frequência), a pesquisa teológica de cada personagem bíblico para transformá-lo em um elenco no teatro. Aos que já assistiram algumas peças escritas por mim sabem dos fundamentos bíblicos que tem por trás da mesma, e sabem que é um sermão atuado.
- Música: A teologia auxilia na ministração de louvor, nas cautelas sobre o que falar no período louvor (se precisar falar), ao escolher as músicas de acordo com a pregação, o conhecimento teológico te faz analisar melhor as letras das canções antes de levá-las a congregação.
- Dança: Assim como no louvor, a teologia ajuda na escolha das músicas antes de dançá-las, nas danças teatralizadas, no estudo histórico e bíblico sobre a dança a luz da bíblia.
- Escrita: A teologia nos instiga a leitura, muita leitura! Como escrever sem ter uma vida de livros? Na palavra de Deus tem grandes escritores, compositores e poetas. Depois da teologia percebemos um pouco mais a riqueza nas construções textuais nas escrituras. Nas aulas de português aprendemos a importância dos “argumentos de autoridade”, ou seja, utilizar de outros autores confiáveis para que a nossa argumentação seja exposta com mais convencimento; Analisando sobre perspectivas teológicas e literárias percebe-se que o próprio Cristo utilizou muito desse recurso. Fora que a escrita, a leitura, e a teologia nos ajuda a entender o contexto de cada texto como escreveu alguém “para não ser pretexto”.
- Pregação: É o foco da teologia, isto é, a arte de pregar! Sem dúvidas, colabora com a oratória, na exposição de um estudo bíblico hermeneuticamente correto (sendo eles pra igreja em geral ou algo mais direcionado a artistas). Conheci alguns artistas cristãos maravilhosos tecnicamente e muito dispostos em seus ministérios, contudo, as suas pregações eram vazias de conteúdo bíblico, sem explicações dos trechos retirados da bíblia, e sem manter o tema proposto no inicio da pregação, penso que algumas orientações da liderança sobre a pregação dessas pessoas cooperaria para o desenvolvimento na área da exposição bíblia verbal (Lembrando que não estou julgando critérios espirituais, enfatizando apenas as condições da pregação).  O conhecimento teológico coopera também no discipulado bíblico de uma equipe facilitando até mesmo uma possível construção de material para o departamento.
Esses são apenas alguns benefícios do uso da teologia no trabalho artístico na igreja. John Stott parafraseando a palavra de Deus conta que “Um louvor irracional certamente era oferecido na cidade pagã de Atenas, onde Paulo encontrou um altar dedicado ao “deus desconhecido”. Porém, eles não estavam se tornando cristãos. O apóstolo não estava satisfeito em deixar os atenienses na ignorância. Ele fez algo para anunciar-lhe a natureza e as obras do Deus que eles ignorantemente adoravam. Ele sabia que a única adoração aceitável para Deus era a adoração inteligente, adoração “em verdade”, adoração oferecida por aqueles que sabem quem estão adorando e que o amam “com todo o entendimento” (Stott, John. Pg. 46).  
Nesse momento eu me pergunto “A minha arte tem amado a Deus com entendimento? A minha arte tem sido inteligente? deus desconhecido?” Crer também é pensar (John Stott). Então, por que teologia se você trabalha com arte? Justamente porque eu trabalho com arte que eu preciso de teologia. Eu acredito que todo o artista necessita ter o mesmo nível de conhecimento que um pastor. O campo de arte desenvolve muito o emocional, por isso, uma dose de conhecimento teológico ajuda-nos a ter o equilíbrio necessário para executarmos uma arte bíblica sem pecarmos contra a palavra de Deus “com muita emoção, mas também com inteligência”.


Kelly Gonçalves